MVP

O que é Produto Mínimo Viável (MVP) e seus tipos

A maneira mais rápida de saber se sua startup está no caminho certo para o sucesso é testar o mercado. Para isso não é necessário oferecer o serviço ou produto já completamente pronto. Com certeza é menos arriscado fazer esse teste com um produto simplificado ou, até mesmo, inacabado e incompleto, mas que sirva para o teste, um MVP.

Essa ideia não é nova, vem sendo feito assim desde a Revolução Industrial, no final do século XIX. Entretanto, ficou popular quando Eric Ries publicou o livro Startup Enxuta. Na verdade, um dos livros clássicos mais importantes sobre empreendedorismo atualmente.

O que é Produto Mínimo Viável (MVP)

MVP é um protótipo de um serviço ou produto que tem a capacidade de demonstração a terceiros para a finalidade de validação da proposta de valor.

Ao se falar que é um produto mínimo, a suposição imediata é que existe um produto máximo. Mas, não é bem isso. Ao contrário, a ideia central é sobre a viabilidade de que o protótipo seja compreendido por alguma pessoa a quem é mostrado para uma pesquisa. Assim, uma outra forma de entender o que é o Produto Mínimo Viável é ser um protótipo, que é o que será o serviço ou produto final já com suas características mínimas possíveis e possível de ser rapidamente produzido ou testado com baixo custo. As principais características são consequências desses argumentos: baixo custo, rapidez de execução e facilidade de apresentação a terceiros.

Uma questão muito importante é que produto e serviços são exatamente a mesma coisa nesse raciocínio. O motivo é que o teste não é exatamente sobre o produto ou serviço, mas sobre sua capacidade de resolver algo que o possível cliente deseje fazer. O conceito de Job To Be Done está por trás dessa ideia toda.

O que se testa, então, é quanto a hipótese da sua startup está correta a ponto de pessoas desejarem comprar a solução que você está se propondo a vender.

Diferença entre protótipo e MVP

Entretanto, é necessário deixar claro que existe uma diferença entre protótipo e MVP. A diferença é que o protótipo é criado para finalidades internas, como ver se é possível sua criação, compreender o processo de funcionamento e outros atributos. Sua finalidade básica é a compreensão do que será o serviço ou produto antes de ir ao mercado verificar sua validade em ter valor para o cliente potencial. Essa etapa em que o rascunho do produto é testado internamente é também chamada de teste de mesa.

Resumindo, protótipo é um modelo do será o serviço ou produto final já com suas características mínimas possíveis e possível de ser rapidamente produzido ou testado com baixo custo. Adicionalmente, o MVP é um protótipo de um serviço ou produto que tem a capacidade de demonstração a terceiros para a finalidade de validação da proposta de valor.

Exemplo de MVP de serviço

Por exemplo, digamos que alguém perceba que as pessoas precisam de coisas durante a madrugada e estariam dispostas a pagar por alguém que vá buscar. O trabalho que elas querem resolver é buscar coisas a qualquer hora justamente porque não querem o incômodo de vestir uma roupa adequada, pegar o carro, estacionar, comprar, pagar, voltar para casa para, só então, usar o que está precisando.

Se você for pesquisar junto a potenciais clientes sobre um serviço que leve e traga coisas usando motocicletas, a sua pesquisa irá comprovar que o serviço mais adequado seria um serviço de motoboy que funcione 24 horas por dia.

Portanto, um MVP de serviços para testar o mercado seria lançar uma campanha para ver se um site com serviços de motoboy 24 horas teria ou não aceitação e que existem clientes interessados em pagar pelo serviço.

Mas, você não está com o negócio pronto porque não quer testar investindo muito dinheiro para montar uma central, com telefonista, com motociclistas aguardando os pedidos, com custo de aluguel, e muitos outros. Você estaria disposto a testar usando seu próprio telefone e acionando um ou dois motociclistas (ou mesmo você) para fazer o serviço? Se sim, esse é um MVP desse serviço.

Viu o erro no exemplo?

Entretanto, essa explicação não está muito correta. O problema dela é que ela está considerando apenas a solução que o cliente acha que é a melhor. Na verdade, se você pensa em testar essa ideia dessa forma, não faça isso. Vá atrás do que ele quer fazer, não da forma como ele resolve o problema agora.

Provavelmente, pessoas vão na internet e procuram por “serviço de motoboy”, achando que essa é a melhor opção. Note que o cliente procurou pela solução que ele acredita ser a melhor, ele não procurou por um serviço especializado em fazer a compra de um item específico.

Digamos que a sua pesquisa por problemas parta da hipótese da sua startup que é a necessidade das pessoas durante a noite ser atendida por um serviço de busca rápida. O conceito por trás disso não é o de um motociclista que faça uma compra, mas de pessoas que entendam de um determinado assunto o suficiente para você dar mais valor para o serviço.

O mesmo exemplo, só que correto

Então, supondo que você queira tomar uma sopa de galinha as 22 horas. Como mandar um motoboy resolver o seu problema? A solução que resolve o problema do cliente não é essa. A melhor solução seria se houvesse um serviço que resolva problemas de forma profissional que não se enquadrem no que você chamaria de rotineiro.

Essa é a proposta de valor de uma startup que conheço:

“Como funciona o Alfred?

Simples! Você pede o que quiser, a gente busca e entrega aonde você estiver. Restaurante, supermercado, farmácia, pet shop, leva e traz ou qualquer outra coisa, é só pedir.”

https://www.alfreddelivery.com/

Essa startup não se limita a serviços de motoboy. Inclui o que for necessário para atender o trabalho que o cliente quer realizar. Precisa de uma chave inglesa de madrugada? Liga no Alfred!

Usei esse exemplo para explicar que o MVP estava certo, mas o serviço a ser pesquisado não seria o que tinha proposta inicialmente de um serviço de motociclista. No caso de levar o cachorro no veterinário, uma moto não é adequada, simplesmente isso.

Então, estamos falando que o MVP faz sentido se você estiver testando realmente a sua proposta de valor. E, sendo assim, não faz diferença se é um serviço ou produto – o teste é o mesmo, só muda o seu MVP.

A propósito, um fundador dessa startup comentou comigo que durante o teste de validação da proposta de valor ele pessoalmente fez entregas.

Tipos de MVP

Já vimos que um Produto Mínimo Viável pode ser de um serviço ou de um produto. Entretanto, existem vários tipos diferentes de MVP que devem ser considerados. É comum que se considere somente a existência dos dois primeiros, por motivos de simplificação, mas a diferenciação em modalidades traz vantagens, conforme explicamos adiante.

Não devemos esquecer que qualquer que seja a sua opção de MVP, sempre é necessário pensar que o principal é não gastar muito para conseguir fazer o teste de mercado.

O que é MVP de Alta Fidelidade

  • Descubra quanto os clientes estão dispostos a pagar por seu produto
  • Encontre os primeiros usuários que serão seus primeiros clientes e ajude a divulgar seu produto
  • Ajudá-lo a definir e otimizar sua estratégia de marketing, como sua proposta de valor, call to action e canais de comunicação
  • Identifique as melhores estratégias de crescimento potencial

O que é MVP de Baixa Fidelidade

  • Compreenda melhor os problemas do seu cliente
  • Verifique o quão valiosa uma solução para este problema pode ser para os clientes
  • Investigue se vale a pena resolver o problema ou não
  • Explore que tipo de solução seria mais eficaz para o cliente

PROTÓTIPO DO MEU AVIÃO

Em alguns casos, o teste da validade da hipótese da sua startup precisa mostrar ao cliente uma função ou característica que exige muito mais esforço do que uma simples apresentação de conceito da proposta de valor que você pretende entregar ao cliente.

O MVP de alta fidelidade é o que possui todas ou quase todas as características e funcionalidades do produto ou serviço já acabado e pronto para comercialização. Sendo assim, é possível até que esse seja efetivamente o que será lançado no mercado depois dos ajustes feitos a partir de uma pesquisa de validação da solução proposta.

Esse MVP apresenta alto grau de detalhamento e inclui a maior parte ou todas as funcionalidades do serviço ou produto final, além de ter um grau de realismo e facilidade de utilização próxima do produto final.

Normalmente é mais caro em termos de gasto de tempo e dinheiro para sua produção e, por isso, é o resultado de pesquisas feitas anteriormente com um MVP de baixa fidelidade.

Modalidades de MVP

Você precisa saber quais são esses tipos para fazer uma escolha consciente porque em alguns casos da história de muitas startups, esse MVP acabou sendo o produto final diretamente e foi evoluindo de acordo com as novas percepções adquiridas junto aos clientes. O caso da Google é um exemplo disso porque muitas funcionalidades são testadas imediatamente nos seus sistemas e depois de algum tempo são ajustados, como foi com o sinal de Like (gostei).

O bom de fazer MVP para testes é que você pode chegar a ponto de fazer dois MVP de um mesmo produto e fazer um teste do tipo A/B, para perceber qual a preferência de seu público alvo. Entretanto, nesse caso, o ideal é que os dois MVP sejam da mesma modalidade porque senão você poderá estar testando preferência de MVP e não o seu serviço ou produto.

Wireframes

No meio de design, os MVP de interface são chamados wireframes. O motivo principal da sua criação é o de mostrar em uma tela o que será exatamente o produto final e é muito usado quando se tratam de aplicativos e softwares. A diferença para o produto final é que ele tem tudo para parecer o software já em funcionamento, mas são apenas as telas já no ambiente final (internet ou smartphone). Alguns softwares online como o Canva ajudam a fazer isso de maneira muito simples e sem necessidade de conhecer programação.

Um wireframe pode ser criado a mão, como se vê na figura, porque seu objetivo é analisar o funcionamento, características e facilidades de uso. É muito aplicado quando se deseja fazer uma análise de usabilidade e experiência do usuário (UX/UI). É ótimo para fazer testes de mesa, como um protótipo, mas, não muito bom para testar a aceitação em pesquisas de mercado. O maior atrativo para esse tipo de MVP é o baixíssimo custo e as telas podem ser feitas em papel.

Protótipo físico

Um MVP desse tipo é o produto já concretizado, não aquele que é feito em computador e mostrado como se fosse um filme sobre o produto. Por ser uma produção real de um único exemplar, o custo tende a ser alto. Entretanto, é um modelo que proporciona uma percepção real e verídica o suficiente para o entrevistado opinar com maior precisão. No ramo de confecções é normal fazer um protótipo inicial para testar opinião de consumidores antes da fase de produção.

Por causa dessa grande semelhança com o produto final, esse MVP é ótimo para fazer um teste de validação de proposta de valor. O problema é que não tem muito sentido quando se fala em serviços, serve mais especificamente para teste de produtos.

MVP de Imersão ou Realidade Virtual

Nesses MVP o uso de tecnologia mais avançada permite o entrevistado ter a vivência simulada do que será o serviço ou produto. Existem possibilidades muito interessantes nesse campo. A aplicação disso para serviços de viagens, por exemplo, pode ser realmente muito interessante

Em um congresso de simuladores e jogos na Austrália haviam simuladores desse tipo para o campo de batalha em que óculos de realidade virtual permitiam a percepção exata do que era o uso do armamento em demonstração. Essa modalidade também é chamada de Mágico de Oz por que é quase uma mágica poder ver algo que ainda não existe.

Essa modalidade é mais adequada para quando se está pesquisando por adequação da proposta de valor ao mercado e já se tem muita certeza sobre como vai ser o produto final. Isso serve para validar a proposta de valor.

Uma variante dessa modalidade é produzir um vídeo com a experiência que o usuário teria, mas não faz o mesmo efeito que a imersão. Entretanto, o vídeo pode ser reaproveitado posteriormente para fazer a demonstração do seu serviço ou produto já que é quase o produto pronto.

Concierge

Essa modalidade é parecida com a anterior (imersão) só que nesse caso o entrevistado sabe que quem está fazendo o protótipo funcionar não é um mecanismo do produto, mas uma pessoa que está simulando a execução. Um exemplo disso é quando alguém está demonstrando um serviço de informação pelo celular e em vez de existir um software funcionando, o que há é alguém em outro terminal digitando os dados para simular a resposta do sistema.

É muito comum esse tipo de simulação em startups quando uma equipe fica produzindo os dados enquanto algum sócio apresenta o produto na entrevista com o cliente potencial.

Essa modalidade é mais adequada para quando se está pesquisando por problemas e ainda não se tem muita certeza sobre como vai ser o produto final.

MVP Framentado (Piecemeal)

Essa modalidade é simulada como no de imersão e com geração de funcionalidades feitas fora do seu MVP, mas inclui serviços de terceiros como um software externo já existente para gerar as informações. Chamam também de front-end simulado.

A tela captura dados da bolsa simulando que o seu produto está gerando as informações

Crowdfunding

Além de ser uma forma de captar recursos, é uma maneira interessante de descobrir se existe mercado para seu produto. Uma vez eu usei esta forma para saber se haveriam pessoas interessadas em patrocinar o desenvolvimento de um sistema de autogestão de condomínios. O resultado foi impressionante o suficiente para eu ver que é um serviço completamente desinteressante e desisti da ideia. A oferta foi um investimento antecipado que valeria como encomenda para que os compradores pudessem pedir o que o sistema deveria fazer e abatessem o investimento no custo do produto final.

MVP de uma única funcionalidade

Nessa modalidade de MVP, o produto não é apresentado inteiro. Apenas se mostra uma das funcionalidades dele para ver se ela é eficaz em resolver o trabalho que o cliente precisa.

Uma livraria testou a ideia de ter uma lanchonete básica com café com lanches, doces e bebidas usando lugares onde as pessoas pudessem sentar. Outra funcionalidade do serviço que seria a ideia de folhear o livro antes de comprar estava presente, mas não estava sendo servido nada para os clientes. O teste da ideia foi sobre a permanência de clientes e, pelo que tudo indica, funcionou e muitas livrarias tornaram-se lanchonetes que vendem livros e livrarias que tem guloseimas, ao mesmo tempo.

Isca ou questão única

Em vez de testar todas as características de um produto, uma forma mais eficiente ainda para ter a noção exata sobre se o seu produto é eficaz para o cliente é fazer uma única pergunta.

Essa é, também, uma forma de captar contatos de pessoas interessadas no seu produto (leads). Isso pode ser feito de muitas maneiras como uma tela popup no meio de um texto, uma chamada para ação (Call to Action), ou até mesmo por um email, convite em rede social ou até em grupos de whatsapp.

O interessante é que você fica sabendo do interesse na sua solução de maneira muito econômica. Se você mostra em um texto ou vídeo o que você vai oferecer, mesmo sem ter o produto pronto, já está a coletar contados para futuros clientes e, também, a validar se o que oferece é interessante para pessoas.

MVP de audiência

Essa é uma das formas mais atuais de testar uma proposta de valor. Em vez de mostrar diretamente seu produto, você passa a criar audiência em torno da sua proposta de valor.

Crie um blog e poste sobre as dores e ganhos que o seu produto pretende acessar para minimizar o problema ou criar ganhos. Conforme você vai publicando seus posts, a audiência irá mostrar pela quantidade de acessos quais são os melhores argumentos e, principalmente, qual a importância que cada item tem efetivamente na mente do seu público alvo.

Outra forma de trabalhar o conceito de audiência é participar ou ser dono de um fórum de discussões ou grupo de afinidade. Não importa se é no Linkedin, no Facebook, no Whatsapp ou outra rede.

Página falsa

Há quem ache essa modalidade de MVP não é ética. Mas, o que realmente é incorreto seria a cobrança por um produto ou serviço que não será entregue. Nessa modalidade, é criada uma página falsa no sentido de oferecer algo que não existe. É boa no sentido de captar exatamente a intenção de compra, mas é ruim porque não entrega o que promete porque não vai adiante na efetivação da venda.

Esse tipo de página pode mostrar a sua startup sem problema porque no final, antes do que seria a tela de cobrança, é apresentada a mensagem de que seu pedido foi aceito e voltaremos a fazer contato quando for lançado.

A apresentação da página pode ser como uma página inicial de site ou uma landing page. O importante é medir as intenções de compra.

Dá uma ideia em quantidades de pedidos que teriam sido feitos. E, pode ser combinada com uma campanha paga em redes sociais e buscadores de internet (Google, Facebook, e outros) para ter noção do resultado que faria uma campanha verdadeira mais adiante.